A difusão do modernismo continua através dos salões mundanos e literários, das exposições e por fim, das ardentes polêmicas pelos jornais e nas revistas que então apareceram, entre as quais Klaxon, mensário dirigido pelo grupo moderno. Começaria também a tentativa de, sobre os destroços do academismo, construir uma arte não apenas puramente agressiva, mas antes de tudo construtiva, algo que limitasse os excessos da semana. Esse desejo de construção realizou-se por dois caminhos: um de volta as origens do modernismo, principalmente a Cezanne (é o rumo adotado por Anita Malfatti) e por outros que surgem pela influência do presente, de preferência do cubismo que foi escolhido por Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral.
Mas para isso era necessário ir olhar de perto as obras dos mestres modernos, ou seja, ir à França. Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral e mais tarde Anita, partem para a Europa e aí mais se acentua a dualidade nacionalismo-universalismo, nascendo a ideia de se empegar a nova fase pictórica europeia para exprimir a maneira de ser brasileira. Na pintura, principalmente na pintura de Tarsila: o movimento Pau Brasil (1924) e o antropofágico (1928) são movimentos nacionalistas lançados por Oswald de Andrade. Os quadros de Tarsila “Morro de Favela” e “Religião Brasileira” de um cubismo simples permaneceram ao movimento Pau Brasil. Com influência de Picasso surgiu a tela “Abaporu”, iniciando o movimento antropofágico.
A arte moderna no Rio começou bem mais tarde, embora Di Cavalcanti, no intervalo de suas viagens à Europa tivesse residência no Rio. Até 1922 o público da capital brasileira ignorava tudo sobre o modernismo e mesmo o impressionismo ainda era encarado com certa desconfiança. Além de Di Cavalcanti, Ismael Nery foi o primeiro artista moderno (prematuramente morto), deixando uma obra variada, de tendências surrealistas e cubistas, mas não se estendia além dos limites do impressionismo.
O segundo artista moderno a aparecer no Rio foi Cícero Dias. Suas obras, com influências pelo surrealismo de Chagall, teve uma evolução até o abstracionismo, conservando, porém, certas tonalidades brasileiras nas cores que emprega em suas obras.
O segundo ciclo do modernismo, com a revolução de 1930, abriu novo campo para a arte moderna. E 1931 nomeado pelo governo provisório, o arquiteto Lúcio Costa assume a direção da escola de Belas Artes, da qual dependia a realização de salões oficiais. Realizou-se assim, no salão de 1931, a primeira exposição coletiva oficial de arte moderna, com obras de Portinari, Tarsila, Anita Malfatti, Cícero Dias e outros.
No período que vai de 1930 até o final da II Guerra Mundial, entram no cenário artístico Cândido Portinari, Alberto da Veiga, Guignard, José Pancetti, vistos com olhos tranquilos e líricos, sem a dramaticidade social de Portinari. Pode-se citar também Djanira da Mota e Silva e Alfredo Volpi.
O modernismo não gerou os artistas primitivos, apenas legitimou-lhes a arte. Assim no Brasil também se deu a descoberta de alguns pintores cujos meios de expressão limitados eram supridos por uma rica imaginação espontânea, ingênua e infantil.
O primeiro deles foi Cardosinho, descoberto por Portinari e Fugita. Dentro do mesmo espírito; Heitor dos Prazeres e José Antônio da Silva que viveu no interior paulista, onde sofreu muito tempo como trabalhador braçal, mas extraiu desse sofrimento a inspiração para suas obras.
Fonte: Bibliografia – Arte no Brasil – Volume 2 – Abril Cultural
Texto publicado na revista Cultura Viva – ano 1 – número 1 – março/1998
Fotos: Ilustração
Obra de Tarsila do Amaral
Obra de Cícero Dias
Obra de Alfredo da Veiga Guignard